quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

PERFEITOS ESTRANHOS



UM
PERFEITOS ESTRANHOS



Luce entrou no saguão iluminado pelas lâmpadas fluorescentes  da Escola Sword & Cross dez minutos atrasada , uma atendente rechonchuda, de bochechas coradas e com uma prancheta presa sob os bíceps torneados , estava dando ordens – o que significava que Luce já havia ficado para trás..
- Então, lembre-se: PPP, pílulas, pijamas e policia, que carinhosamente chamamos de vermelhos – ladrou a atendente para três outros estudantes de pé á frente de Luce. – Lembrem-se do essencial e ninguém vai se machucar.
Luce apressou-se para se juntar ao grupo. Ela ainda estava tentando entender se tinha preenchido corretamente a gigantesca pilha de formulários, se essa guia de cabeça raspada parado na frente era homem ou mulher, se alguém ali a ajudaria com a enorme mochila, se seus pais se livrariam de seu amado Plymouth Fury assim que chegassem em casa, depois de deixa-la ali. Eles ameaçaram vender o carro durante o verão inteiro e agora tinham um motivo com o qual nem mesmo Luce poderia argumentar : ninguém tinha permissão para ter carros no novo colégio de Luce, no seu reformatório para ser mais exata.
Ela ainda estava se acostumando com a palavra.
- Você podia, hum, repetir? – ela perguntou a atendente – o que você disse sobre pílulas...
- Ora, vejam só quem resolveu aparecer – disse alto e bom som, e então continuou, enunciando lentamente: - pílulas ou remédios. Ser for uma das alunas medicadas, é aonde deve ir para se manter dopada, sã, respirando, seja la o que for.
Mulher, Luce concluiu analisando a atendente. Nenhum homem seria ardiloso o bastante para usar aquele tom de voz.
- Entendi. – Luce sentiu o estomago revirar – Remédios.
Luce parara de tomar seus remédios há anos. Depois do acidente do ultimo verão, o Dr. Sanford , seu medico em Hapkinton- e interno em New Hampshire - , estava pensando em medica-la de novo. Apesar de ela finalmente te-lo convencido que estava quase estável, fora necessário um mês extra de analise simplesmente para poder ficar daqueles horríveis antipsicoticos.
E essa era a razão pela qual estava começando a cursar o ultimo ano na Sword & Cross, um mês inteiro depois do inicio do ano letivo. Ser aluna nova já era ruim o bastante, e Luce tinha ficado muito nervosa por ter que se esforçar para alcançar o ritmo das matérias quando todo mundo já estava acostumado a elas. Mas pelo visto, ela não era a única aluna chegand hoje. Ela deu uma olhada nos três outros alunos parados em simicírculo em volta dela. Na sua ultima escola , a Dover Prep , foi durante a tour pelo campus no primeiro dia de aula que Luce conhecera a melhor amiga, Callie. Num campus onde todos os outros alunos tinham praticamente sido desmamados juntos, os fato de Luce e Callie serem as unicas que não vinham de famílias tradicionais a escola já era o afinidade o suficiente. Mas não foi presiso muito tempo para que as duas garotas percebessem que partilhavam também a mesma obsessão por filmes antigos – especialmente os de Albert Finney. Depois de descobrirem, no primeiro ano, enquanto assistiam a Um caminho para dois, que nenhuma das duas conseguia fazer pipoca sem disparar o alarme de incêndio, Callie e Luce não desgrudaram mais uma da outra. Até ... até serem obrigadas.
Parados de cada lado Luce hoje estavam dois garotos e uma garota. A garota parecia bem fácil de decifrar, loira e bonita, como se sai-se de um comercial da Neutrogena, com unhas pintadas de cor-de-rosa claro combinando com a pasta de plástico.
- Sou Gabbe – disse arrastando, e abrindo para Luce um grande sorriso que desapareceu tão rápido quanto tinha surgido, antes mesmo de Luce poder dizer seu próprio nome. O interesse passageiro da garota fez Luce pensar mais em uma versão sulista das garotas de Dover do que em alguém que se esperaria encontrar na Sword & Cross. Luce não conseguia nem imaginar o que uma garota com essa aparência estaria fazendo num reformatório.
A direita de Luce, estava um garoto de cabelo castanho curto, olhos castanhos e um monte de sardas no nariz. Mas pela maneira como ele evitava encara-la, e so ficava mordendo a cutícula do dedão, Luce teve a impressão de que o garoto, assim como ela provavelmente ainda estava atordoado e envergonhado por ter isso parar ali.
O garoto a esquerda por outro lado, se encaixava no estereotipo desse lugar até um pouco demais. Ele era alto e magro, carregava um case de DJ num dos ombros, tinha cabelo preto repicado e grandes e profundos olhos verdes. Seus eram cheios de cor-de-rosa natural que a maioria das garotas mataria para ter. Na nuca, uma tatuagem preta no formato de sol quase parecia brilhar na pele branca , subindo pela gola de sua camiseta preta.
Diferente dos outros dois, quando esse garoto se virou para olha-ra, encarou fixamente seus olhos e não se moveu. Os lábios numa linha seria, mas os olhos eram quentes e vivos. Ele a contemplou,parado como uma escultura, fazendo Luce congelar também. Ela prendeu a respiração. Aqueles olhos eram intensos e sedutores e, bem um pouco desconcertantes.
Com alguns pigarros, a atendente interrompeu o olhar hipnotizador do garoto. Luce corou e fingiu estar muito ocupada coçando a cabeça.
- Aqueles que já aprenderam as regras estão livres para ir, assim que jogarem fora seus objetos perigosos – A antendete indicou uma grande caixa de papelão sob um cartaz que dizia em grandes letras pretas MATERIAIS PROIBIDOS. – E quando digo ir Todd – Ela pousou a mão com força no ombro do menino sardento, fazendo-o saltar -, quero dizer para os limites do ginásio, encontrar seus guias previamente escolhidos. Você – continuou apontando para Luce - , descarte seus materiais perigosos e fique comigo.
Os quatro se acotovelaram até a caixa e luce assistiu estupefada, os outros alunos começaram a esvaziar os bolsos. A garota jogou um canivete suíço de sete centímetros. O garoto de olhos verdes relutantemente se livrou de uma lata de spray de tinta e um estilete. Ate o infeliz Todd descartou varias caixas de fósforos e uma pequena embalagem de fluido para isqueiro. Luce se sentiu quase envergonhada por não estar escondendo nada perigoso tambpem, mas quando viu os outros alunos enfiarem as mãos nos bolsos e jogarem também seus celulares dentro da caixa, engoliu seco.
Inclinando-se para frente para ver um pouco mais de perto do cartaz de MATERIAS PROIBIDOS , ela notou que celulares pagers e walk-talkies era estritamente contra as regras. Já era ruim o suficiente não poder ficar com o carro! Luce tocou com a mão suada e grudenta, o celular em seu bolso, a uncia conexão com o mundo la fora. Quando a atendente viu a expressão em seu rosto, Luce recebeu uns leves tapinhas no rosto.
- Não vá morrer aqui na minha frente, garota, não me pagam bem o suficiente para ressuscitar alguém. Alem disso, você tem o direito a um telefonema por semana no saguão principal.
Uma ligação ... uma vez por semana? Mas ...
Ela baixou os olhos para o celular uma ultima vez e viu que tinha recebido duas novas mensagens de texto. Não parecia possível que essas fossem ser suas ultimas mensagens de texto.  A primeira era de Callie.
Liga logo! Vou esperar ao lado do telefone a noite toda, então pode ir se preparando pra contar. E lembre-se do mantra que eu te falei: você vai sobreviver! Alias, se é que faz alguma diferença, acho que todo mundo já esqueceu completamente sobre ...
Bem no estilo de Callie, havia tantos caracteres na mensagem que a porcaria do celular de Luce cortou a frase depois de algumas linhas. Por um lado, Luce quase se sentiu aliviada. Ela não queria saber como todo mundo de seua antiga escola já tinha esquecido o que acontecera o que fizera pra vir parar num lugar desses.
Luce suspirou e passou para segunda mensagem. Era de sua mãe, que rinha aprendido como se mandava mensagens há algumas poucas semanasm e certamente não sabia dessa historia de uma ligação por semana, ou teria abandonado a filha ali. Não é ?
Querida, estamos sempre pensando em você. Seja boazinha e tente comer bastante proteína. Conversamos quando der. Com amor M. e P.
Com outro suspiro Luce percebeu que os pais provavelmente sabiam. De que outra maneira poderia explicar as expressões sofridas quando ela se despedira nos portões da escola naquela manha, dizendo que finalmente perderia aquela horrível sotaque da Nova Inglaterra que tinha adquirido na Dover, mas seus pais não tinham nem mesmo sorrido. Luce achou que ainda estavam com raica dela; eles nunca faziam escândalo, o que significava que, quando Luce fazia algo muito errado simplesmente davam um gelo nela. Agora entendia o comportamento estranho dessa manha: seus pais já estavam lamentando a perda de contado com sua única filha.
- Ainda estamos esperando alguém- cantorolou a antende – Quem será que é? – a atenção de Luce voltou para a caixa de matérias perigosos, que agora estava transbordando de coisas contrabandeadas que ela nem reconhecia. Podia sentir os olhos verdes do garoro de cabelo escuro sobre si. Ao levantar os olhos , porem percebeu que todos estavam encarando. Era sua vez. Luce fechou os olhos lentamente abriu os dedos deixando o telefone escorregar e cair no alto da pilha, fazendo um som triste. O som de estar completamente sozinha.
Todd e a robô Gabbe foram para porta sem nem olhar na direção de Luce, mas o terceiro garoto se virou para atendente.
- Posso explicar as coisas pra ela- disse, indicando Luce com a cabeça.
- Não faz parte do nosso acordo – respondeu a mulher automaticamente, como se já estivesse esperando esse dialogo. – Você e novo aqui mais uma vez, e isso significa ter as mesmas restrições que os outros alunos novos. De volta ao começo. Se não ficou feliz, devia ter pensado duas vezes antes de violar a condicional.
O garoto ficou imóvel e sem demonstrar nada, enquanto a atendente puxava Luce – que tinha congelado com a palavra “condicional” – para o final do corredor amarelado.
- Continuando – prossegiu ela, como se nada tivesse acontecido. – Cama. – apontou pela janela oeste para um distante prédio de alvenaria. Luce podia ver Gabbe e Todd se aproximando do prédio devagar, com o terceiro garoto andando lentamente como se alcança-los fosse a ultima coisa em sua lista de prioridades.
O Dormitório era grande e quadrado, um bloco cinza e sólido cujas grossas portas duplas não revelavam nada sobre a possibilidade de haver vida atrás delas. Uma grande placa de pedra estava plantada no meio da grama morta, e Luce lembrou-se de ter visto, no website as palavras DORMITORIO PAULINE gravadas nela. Parecia ainda mais feia no sol nebuloso da manha do que na sem graça foto em preto e braço.
Mesmo distancia, Luce podia ver o limo preto cobrindo a fachada do dormitório. Todas as janelas eram obstruídas por fileiras de barras grassas de aço. Ela apertou os olhos. Aquilo era arame farpado em cima da cerca que dava a volta no prédio?

Gente os capítulos são muito grandes , chegam a ser de 12 a 14 paginas, então vou dividi-los tudo bem? Até o próximo com a continuação desse capitulo !

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